Sábado não foi diferente
O sábado foi extenso
Não mais que a sexta-feira após o expediente
Só queria dormir
Meu corpo não estava consciente
Eu tava perdida sexta à noite
Senti tudo inflado, como balões
Meus braços, meu rosto, meu corpo, a cama
Tava tudo inflado e eu, perdida, flutuante na minha mente
É estranho se sentir assim
Sábado não foi diferente, tentei
Joguei muitas coisas fora
Limpei os armários
Organizei as roupas
Não sabia muito bem o que eu tava fazendo com tudo isso, só queria que a dor parasse
Uma dor conhecida, eu não sei por que ela insiste em ficar grudada em mim, por mais que os anos passem
A dor que me corrói é conhecida, uma velha conhecida
E quem se importaria além de mim?
Sábado não foi diferente, ainda flutuei
Bexiga no ar
Transitando entre o real e o imaginário que eu criei
Não importa o que eu faça, ela tá sempre aqui
Encostada em mim
Sabor de solidão com angústia de um futuro incerto
Eu quero flutuar
Correntes de ar me levem embora pra onde eu não possa sentir
Sábado não foi diferente
Karla Christine Andrade Charone

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